01/12/2009 - A cidade do estresse


Dia desses estive no prédio da Polícia Federal para tirar meu passaporte e constatei que o estresse também faz parte das pessoas que lá trabalham. Analisando friamente a situação, poderíamos pensar que eles não teriam razão para se estressarem, pois trabalham na polícia, são funcionários públicos federais, teoricamente têm uma boa segurança, sendo preservados de algumas preocupações que em muito contribuem para o estresse diário, como veremos no quinto parágrafo. Mas não é bem assim.

Ao chegar lá percebi como os funcionários eram impacientes com as pessoas, respondiam mal quando elas lhes perguntavam algo. Mas o que mais me causou espanto foi a insegurança deles. Pareciam assustados e desconfiados de todos os que entravam lá.

Presenciei o seguinte fato: o telefone celular de uma senhora tocou e, de fato, havia uma placa pedindo para que os celulares fossem desligados, mas nem sempre prestamos atenção a tudo, isso é normal. Ao toque do celular daquela senhora, o guarda gritou: “A senhora não viu a placa pedindo para desligar o celular? Desliga isso, por favor!”, esbravejou. 

Eu fiquei angustiado com a situação. Compadeci-me daquela senhora. Até pensei em ir lá e dizer que ele não tinha o direito de falar daquela forma com as pessoas, principalmente em se tratando de uma senhora. Mas logo fui chamado para resolver meu problema e o fato se passou, mas permaneceu na minha mente a lembrança daquele homem truculento que falou de forma estúpida com alguém.

No caminho de volta, enquanto dirigia, fiquei pensando e tentando entender o porquê de tanto estresse. Vivemos na sociedade do estresse. É o salário que não dá para pagar as contas, mas às vezes somos culpados porque não planejamos nossa vida; é o trânsito intenso de uma cidade grande; é a vida amorosa ou matrimonial que não anda bem; é um problema com os filhos; é uma situação inesperada de uma doença; e por fim, são nossos sonhos que não se realizaram e nós não trabalhamos o nosso interior no caso de um resultado negativo para nossas buscas e realizações.

Queridos paroquianos, está chegando mais um final de ano. Aproveitemos ao máximo esse tempo para rever nossas atitudes em relação a nossa vida, em todos os seus âmbitos. Procuremos descansar, viajar, refletir. Isso vai nos fazer bem. Vai começar um novo ano e com ele nossas atividades. Como eu sempre falo, não tirem férias da fé. Ou seja, mantenham seu compromisso cristão e católico sempre em dia, estejam onde estiverem. Peçamos a Deus, que é tão bom, que nos ajude a superar o estresse de tantas coisas, para que a humanidade se liberte deste mal, a sociedade seja mais fraterna e a cidade mais amiga. A cidade do estresse, do barulho, da impaciência e do caos, pode se transformar na cidade do amor e da harmonia.

Feliz Natal a todos e abençoado Ano Novo.

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